Profissional do HUOP é homenageado por promover inclusão e acessibilidade no atendimento à comunidade surda
O enfermeiro Gabriel Gollyjewski da Silva, que atua no Hospital Universitário do Oeste do Paraná (HUOP), foi reconhecido pelo Conselho Regional de Enfermagem do Paraná (Coren-PR) com o Prêmio Alice Michaud 2025.
A homenagem destaca seu trabalho voltado à acessibilidade e inclusão da comunidade surda no ambiente hospitalar.
Motivação e trajetória
Gabriel decidiu seguir carreira na enfermagem motivado pela vontade de tornar o hospital um espaço mais acessível para pessoas surdas.
“Sempre admirei muito minha irmã, que é técnica de enfermagem. Vi nela um exemplo de cuidado e pensei que poderia contribuir da mesma forma, mas levando esse atendimento também para quem enfrenta barreiras de comunicação”, conta.
Ao ingressar no HUOP, em outubro de 2025, Gabriel tornou-se o primeiro enfermeiro surdo da instituição. O início foi desafiador, exigindo adaptações na rotina da equipe.
Entre suas iniciativas está a fixação do alfabeto em Libras nos murais da enfermagem, incentivando colegas a aprenderem sinais básicos.
Na comunicação com pacientes, ele utiliza gestos, expressões faciais e escrita.
“O importante é tentar se entender. A empatia faz a comunicação acontecer”, afirma.
Reconhecimento e impacto
O Prêmio Alice Michaud é concedido a profissionais que se destacam por práticas inspiradoras e humanizadas.
Gabriel foi indicado por seu atendimento bilíngue (em Libras e português) no setor de maternidade do HUOP, onde acompanha gestantes surdas durante o pré e pós-parto.
“Foi uma surpresa e uma emoção receber essa notícia. Esse reconhecimento reforça a importância da acessibilidade na saúde e mostra que o profissional surdo pode contribuir de forma efetiva”, relata o enfermeiro.
Essa é a segunda vez que um profissional do HUOP recebe o prêmio. Em edição anterior, o técnico de enfermagem Sidnei Moreira de Meireles também foi homenageado, reforçando o compromisso da instituição com a inclusão e o cuidado humanizado.
Inclusão e aprendizado diário
Gabriel acredita que a inclusão se constrói no cotidiano.
“A comunicação vai além das palavras. Está no olhar, no gesto e na vontade de entender o outro. Quando alguém aprende um sinal em Libras, é um passo a mais para um atendimento mais justo e igualitário”, destaca.
Para ele, o reconhecimento é coletivo:
“Esse prêmio é resultado do trabalho de todos que acreditam na inclusão — colegas, intérpretes e pacientes. A saúde precisa ser um espaço onde todos possam se comunicar e ser compreendidos.”
Valorização da diversidade
A coordenadora de Enfermagem do HUOP, Sara Treccossi, reforça que o prêmio reflete tanto o mérito individual de Gabriel quanto o avanço institucional em valorizar a diversidade.
“A diversidade na enfermagem reflete a complexidade e a amplitude do cuidado em saúde. Diferentes perfis profissionais contribuem para uma visão mais abrangente das necessidades dos pacientes”, afirma.
Sara também destaca que o HUOP busca fortalecer uma cultura de acolhimento e respeito às diferenças.
“Valorizamos e acolhemos essa diversidade, entendendo que ela fortalece a equipe e enriquece o cuidado. Contudo, é fundamental que toda inclusão venha acompanhada de comprometimento, ética e competência técnica, pilares da qualidade e segurança da assistência prestada”, complementa.
