Unioeste e voluntários entregam Cmei Dona Laura para acolher crianças em Rio Bonito do Iguaçu


 Intervenção emergencial reuniu engenheiros, estudantes, professores, voluntários e apenados na recuperação do espaço


Uma força-tarefa formada pela Unioeste, Projeto Rondon, voluntários e equipes municipais garantiu, nesta segunda-feira (17), a entrega do Cmei Dona Laura para acolher crianças de Rio Bonito do Iguaçu, cidade duramente atingida pelo tornado de 7 de novembro.


A estrutura foi escolhida para receber uma reforma emergencial após uma avaliação técnica da Unioeste confirmar que não havia danos estruturais. Segundo o engenheiro e diretor de Obras da universidade, Paulo Henrique Gris, o foco inicial foi liberar o local para uso seguro.


“Realizamos um levantamento completo e, antes mesmo da reforma definitiva, liberamos o espaço para atender de forma emergencial”, explica.



Operação em ritmo acelerado



Com a liberação, a força-tarefa entrou em ação. Estudantes do Projeto Rondon, professores, servidores da Unioeste, voluntários e apenados do sistema prisional trabalharam em conjunto para transformar o ambiente em poucos dias.


O coordenador da missão, Victor Ribas Junior, destaca que a resposta precisava ser rápida:


“Precisávamos encontrar um lugar para receber as crianças. Ao confirmar que o Cmei tinha condições estruturais, começamos imediatamente. Em menos de uma semana, conseguimos deixar tudo pronto.”


A professora Rosislene Fontana, que atuou ao lado do professor Celito De Bona na coordenação dos rondonistas, lembra do cenário inicial:


“Quando chegamos, estava tudo destruído. Retiramos entulhos, limpamos e organizamos para que o espaço estivesse preparado. Foi um trabalho de união que fez toda a diferença.”



Acolhimento de crianças em situação de emergência



O Cmei será o primeiro local destinado ao atendimento de crianças de 0 a 10 anos durante o dia, enquanto as famílias lidam com a reconstrução das casas.


Segundo a secretária de Educação, Eliane Dal Casteli, a prioridade sempre foi garantir um espaço seguro e acolhedor.


“Este é o primeiro abrigo entregue. Em poucos dias, ele se transformou e está pronto para receber nossas crianças do perímetro urbano que ficaram desalojadas”, afirma.


A diretora do Cmei, Lucieli Vargas, reforça o impacto emocional da reconstrução:


“A tragédia abalou todos nós. Ver o Cmei pronto novamente traz esperança. Agora queremos recomeçar.”


A atuação dos apenados também foi fundamental. De acordo com Boanerges Silvestre Boeno Filho, responsável pela Divisão de Produção e Desenvolvimento da Polícia Penal, 89 pessoas privadas de liberdade participam da reconstrução do município.


“Nesta fase, temos trabalhado na limpeza e recuperação de telhados. O Cmei é um exemplo do que está sendo feito. Continuaremos enquanto houver necessidade.”



Universidade e comunidade lado a lado



O trabalho reforça o papel social da Unioeste em momentos críticos. A presença do secretário estadual de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Aldo Nelson Bona, e do reitor da Unioeste, Alexandre Webber, marcou a entrega simbólica do Cmei.


“É uma entrega que impacta diretamente a comunidade. A união das equipes permitiu fazer tudo em tempo recorde”, destacou Bona.


O reitor Webber também enfatizou o engajamento imediato das equipes universitárias:


“Tenho orgulho dos nossos alunos e professores. Os extensionistas do Rondon, junto aos apenados, fizeram a diferença. Assim que chamados, todos aceitaram estar aqui.”



Próximos passos



Enquanto a limpeza e reorganização avançavam, engenheiros e arquitetos da Unioeste, vinculados ao setor de Obras e ao Projetek, trabalharam voluntariamente na elaboração de 12 laudos técnicos de edificações públicas atingidas.


A vice-coordenadora do Projetek, Hitomi Mukai, explica a importância desses documentos:


“Realizamos levantamento, registro fotográfico e estimativas de valores para contribuir com a liberação de recursos. Isso ajuda o município a acelerar os processos em meio ao estado de calamidade.”


Apesar dos reparos emergenciais, o Cmei Dona Laura também será totalmente reestruturado. A obra completa já tem custo estimado em pouco mais de R$ 522 mil.




Texto: Thiago Leandro

Fotos: Arnaldo Neto/AEN e Victor Ribas Junior


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